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Acompanhamento estratégico de suprimentos

O acompanhamento estratégico de suprimentos é essencial para reduzir custos e obter o melhor desempenho.
A mão de um homem com uma caneta e uma prancheta abaixo dela.

As construtoras contam, hoje, com o acompanhamento estratégico de suprimentos, geralmente feito por empresa terceirizada de gerenciamento de projetos.

O objetivo é garantir que os materiais e serviços estejam disponíveis na quantidade correta, no momento necessário e ao custo mais adequado.

“O acompanhamento estratégico de suprimentos atua apoiando a construtora a desempenhar as atividades de compras, ao mesmo tempo em que auxilia na redução dos custos do empreendimento, inclusive através de engenharia de valor e análise de alternativas construtivas”, explica o engenheiro Agenor de Resende Chaves, diretor Operacional da Gérance – Gestão de Projetos e Obras.

Na prática, uma equipe própria de suprimentos da construtora responde pelos processos de aquisições. Enquanto isto, a gerenciadora realiza, entre outras atividades, análise e acompanhamento do planejamento/orçamento da obra, engenharia de valor, verificação de cotações, equalizações de propostas, contratações específicas e, em alguns casos, até mesmo o acompanhamento de produção/fabricação dos materiais.

Os principais benefícios para o projeto começam pela ampliação da rede de fornecedores e a indicação de pontos de melhoria. Aspecto essencial dessa colaboração é orientar a gestão integrada de todos os contratos de produtos e serviços da obra.

O acompanhamento estratégico de suprimentos atua apoiando a construtora a desempenhar as atividades de compras, ao mesmo tempo em que auxilia na redução dos custos do empreendimento. ” Agenor de Resende Chaves

“É o caso da contratação de serviço de cravação de estacas de fundação e, paralelamente, a aquisição de aço e concreto. Os dois contratos devem estar integrados, definindo os limites de cada fornecimento, tanto do serviço quanto dos materiais que compõem a fundação. Isto evita duplicidade de contratações ou contratações falhas”, destaca o engenheiro.

O bom desempenho de suprimentos depende de um planejamento adequado das aquisições, de maneira a garantir que não haverá atraso de obra devido à falta de material e mão de obra.

A gerenciadora atua para garantir que, para o início das obras, o planejamento de suprimentos seja elaborado com base no cronograma e orçamento do empreendimento.

“É importante, também, que suprimentos implemente mecanismos para a rastreabilidade das informações”, acrescenta.

Baixe aqui um guia de melhores práticas na gestão de suprimentos da construção civil.

Desafios do acompanhamento estratégico

O processo de gestão de suprimentos abrange diversas áreas e atividades o que, por consequência, gera inúmeros desafios. O primeiro e mais evidente é o fato de que a indústria da construção civil é altamente baseada em projetos. Isto acarreta, entre outros fatores, incerteza quanto à demanda futura e dependência de mão de obra especializada.

“É desafiador, para as construtoras, gerir e integrar diversas áreas da empresa, assim como os fornecedores internos e externos. A área de suprimentos não se sustenta isoladamente. Precisa ter, atrás de si, projeto, orçamento, planejamento bem feitos e, por fim, a operação. Toda essa cadeia de necessidades precisa estar integrada na construtora”, ensina Chaves.

Já o planejamento estratégico da gestão de suprimentos é atividade que exige análise de dados e resultados monitorados. “Lições aprendidas em processos anteriores são bem-vindas”, ressalta, acrescentando que os profissionais da área devem enfrentar, cotidianamente, o desafio de atualização sobre novos materiais e tecnologias que surgem a todo instante no mercado.

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Impactos negativos

Tomar decisões apoiadas em opiniões próprias, de cunho pessoal, sem base em dados e informações concretas é um dos principais fatores que podem interferir negativamente no processo de gestão de suprimentos.

“Decisões devem ser tomadas a partir de matrizes de responsabilidade e de comunicação, geradoras de informações que subsidiam a ação. Informações vindas de terceiros ou do gestor de suprimentos sem base no planejamento estratégico é mera opinião pessoal, e não corporativa do processo”, explica.

Haverá impacto negativo se a área de suprimentos não realizar análise dos riscos inerentes aos processos, que podem acarretar troca de especificação de materiais e atraso na entrega, entre outros problemas.

O engenheiro lembra, ainda, que as falhas no processo de compras podem gerar atraso na entrega, decorrente da produção insuficiente do fornecedor, além de imprecisão na comunicação e interação com fornecedores internos e externos.

Acompanhamento estratégico para obter o melhor desempenho

De acordo com Chaves, para melhorar o desempenho da gestão de suprimentos é preciso trabalhar na melhoria e padronização dos processos. Para tanto, há uma série de providências.

Aliado à utilização das lições aprendidas está o compartilhamento/nivelamento de informações entre todos os participantes do projeto e a interação entre o canteiro de obras e seus fornecedores imediatos, objetivando redução custos e prazos de atendimento.

A área de suprimentos não se sustenta isoladamente. Precisa ter, atrás de si, projeto, orçamento, planejamento bem feitos e, por fim, a operação. Toda essa cadeia de necessidades precisa estar integrada na construtora. ” Agenor de Resende Chaves

“Reforço a necessidade de que o planejamento da obra esteja integrado ao processo de suprimentos, assim como a engenharia de valor com análise de projetos e alternativa de materiais”, diz.

É necessário manter uma rede de fornecedores qualificados, criando uma relação de parceria e integração. No entanto, é recomendável a diversificação dos fornecedores, evitando círculos viciosos de processos de compras e a não dependência de um único fornecedor. 

Por fim, a gestão de suprimentos deve empregar novas tecnologias, que podem ajudar de forma considerável o monitoramento e controle dos processos. É preciso estar atento às novidades e tendências das tecnologias, que estão em constante evolução.

“Softwares de gestão integrada são uma ferramenta poderosa para o setor de compras, com monitoramento instantâneo de todo processo, confirmação de recebimentos e desempenho dos produtos e serviços adquiridos, confirmando ou não, a avaliação inicial do fornecedor em tempo real”, finaliza Agenor de Resende Chaves.

Existem vários softwares disponíveis no mercado para gerenciamento de suprimentos. A Gérance utiliza em seus projetos uma plataforma para gestão de documentos, processos e planejamento, com recursos de gerenciamento eletrônico de documentos, associados a ferramentas de colaboração e de gestão de processos.

Esse círculo vicioso só será interrompido se as construtoras e fornecedores adotarem melhor gestão dos custos, através das métricas, repassando os preços de forma justa ao consumidor.

Boano acredita que, na era atual de compliance e de Lava Jato, as construtoras – especialmente as de obras públicas – terão de obedecer a esse tipo de regra.

“Quem não se atualizar com métricas e KPIs mais modernos internamente, poderá sofrer, no futuro, com uma reação da sociedade que cobrará esse comportamento mais transparente, sem superfaturamento. O mercado tende a ser mais regulado”, alerta.

Esta evolução na profissionalização de compras é um fenômeno que não se restringe ao Brasil. Diversas empresas de tecnologia localizadas no Vale do Silício (EUA), Israel e Portugal estão investindo em inovação para aperfeiçoar a gestão de aquisições e acompanhamento de KPIs.

“Em um futuro muito próximo será possível evitar que se tome qualquer decisão de compras que fuja a uma comparação benchmark com indicadores de mercado”, conclui Erick Boano.

Leia também: Construtoras devem implementar boas práticas


E mais: O que conta nas decisões de compras?


Redação AECweb / Construmarket


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Colaboração técnica

Agenor de Resende Chaves – Engenheiro civil, sócio-fundador da Gérance Gerenciamento e Consultoria, possui mais de 28 anos de experiência, sendo 21 anos na área de gerenciamento de projetos e obras.

Como diretor Operacional da Gérance, realizou a gestão de empreendimentos em diversos segmentos, como shopping center, indústria, centros logísticos, hospitais e varejo, com, aproximadamente, 5 milhões de m² gerenciados.

Atualmente, gerencia projetos com área de aproximadamente 200 mil m², incluindo implantação de Escritório de Projetos, seguindo metodologia de PMI.

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