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Caixilharia de alumínio, uma compra técnica

Produtos que representam importante percentual em relação ao custo total da obra requerem compra técnica. Confira!
Caixilharia de alumínio, uma compra técnica

Produtos que representam importante percentual em relação ao custo total da obra, as esquadrias e fachadas de alumínio requerem compra técnica uma vez que exigem conhecimento e poder de decisão do setor responsável das construtoras. Lucínio Abrantes dos Santos, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Esquadrias de Alumínio (AFEAL) revela que, quando se trata de edifícios corporativos triple A, a escolha envolve reuniões entre o incorporador e a direção da construtora com o fornecedor.

“Não é para menos: dependendo da área e da complexidade das fachadas cortinas, o custo pode chegar a até 7% do investimento total”, diz, exemplificando: “Uma obra, hoje, dependendo do porte, atinge cerca de R$ 30 milhões em fachadas”. No caso das esquadrias entre vãos de edifícios residenciais, esse percentual é, em média, de 4%. 

COMPRAR QUALIDADE

“Nas construtoras preocupadas com a qualidade do empreendimento e de todos os materiais ali embarcados, o setor de compras é liderado por engenheiros gabaritados. Nelas, já não existe mais a figura do comprador sem formação técnica”, comenta. Dois importantes instrumentos à disposição do setor de compras, lembra ele, são a norma técnica ABNT NBR 10821 – Esquadrias Externas para Edificações – e o Programa Setorial da Qualidade (PSQ) das Esquadrias de Alumínio – vinculado ao Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H).

Fazem parte do programa as empresas fabricantes de esquadrias especiais, padronizadas e, também, extrusoras de perfis de alumínio, compreendendo seis sistemistas homologados responsáveis por grande parte da produção nacional.

“As construtoras devem exigir que o fornecedor seja qualificado no PBQP-H e, de preferência, associado à AFEAL, porque a associação preza, apoia e instrui o fabricante a produzir em conformidade com as normas técnicas e, também, a oferecer boa conduta técnica e de prestação de serviços no pós-venda. A construtora pode ser nossa aliada e, com isso, ter menos dor de cabeça”, recomenda.

Em um passado ainda recente de poucas obras, ao comprarem pelo menor custo possível, as construtoras levaram o setor fabricante a uma estagnação técnica. “Isto mudou radicalmente com a ampliação da contratação do consultor de esquadrias e fachadas pelas construtoras. Esse profissional desenvolve o projeto e fiscaliza desde a fabricação até a instalação. Sua presença obriga a concorrência a se inserir num mesmo patamar técnico, de maneira que todos possam orçar a mesma coisa, de acordo com a especificação do projeto”, explica Lucínio Santos.

Na falta do consultor e, portanto, de um projeto detalhado, o comprador pode procurar a AFEAL, para se orientar quanto à literatura e normativas existentes, ou comprar de empresas qualificadas no programa do Ministério das Cidades. Conquista da última década, o segmento de fabricantes de esquadrias de alumínio padronizadas qualificados no PSQ passou a fornecer diretamente para as construtoras – antes, vendiam apenas nos home centers e lojas de materiais de construção.

O presidente da AFEAL relata uma prática comum, envolvendo fornecedores e construtoras: alguns fabricantes compram perfis e componentes em nome da construtora – itens que equivalem a cerca de 40% do orçamento global das esquadrias. “

Esse expediente facilita a contratação de empresas por aquelas construtoras que não têm discernimento para checar se o fornecedor possui condições técnicas mínimas de entregar um produto de qualidade. Sem falar que a esquadria tem funções diversas, desde fechamento com estanqueidade ao ar e à água, até conforto térmico e acústico, segurança e longa vida útil, o que requer grande cuidado na compra para não colocar em risco o empreendimento”, destaca.

FACHADAS CORTINAS 

O presidente da AFEAL lembra que a tendência é de crescimento no número de empreendimentos com a certificação LEED. “O Brasil é, hoje, o 4º colocado no ranking mundial do Green Building Council, posição que deve melhorar ainda mais. Isto porque o país está construindo em conjunto com fundos de investimentos internacionais e para empresas de fora, além dos bancos nacionais, que exigem a adoção do conceito de construção sustentável.

Quando o empreendimento tem esse perfil de investidor, o projeto já chega com uma assessoria técnica internacional, inclusive para as fachadas”, informa Lucínio Santos.

O processo de seleção dos fornecedores e compra das fachadas e esquadrias tem início com a prévia qualificação das empresas fabricantes que vão participar da concorrência. “Não é qualquer empresa que participa, mas todas as escolhidas têm condições de ganhar e executar a fachada”, diz.

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Nessa etapa, a compra está nas mãos do setor de planejamento da construtora que pode incluir visita às indústrias, para verificar a carteira de produção, a capacidade instalada, as máquinas e equipamentos da planta fabril e o tamanho e especialização da equipe técnica, que deve incluir um engenheiro residente e um fiscal técnico full time na obra, além de outros funcionários em canteiro. De posse dessas informações, a construtora avalia se a obra em questão é adequada a aquela indústria. Qualificados os fornecedores, quem assume é o setor técnico de compras.

QUALIDADE E ENTREGA NO PRAZO 

“Se o fabricante tiver ‘um estômago muito grande’, ele vai querer abraçar várias obras e, invariavelmente, causar atraso que, mesmo diante das penalidades contratuais, não vale a pena para a construtora. Assim, mesmo que esse fabricante tenha apresentado o menor orçamento, a construtora vai contratar outro concorrente, ainda que com custo um pouco maior, porém melhor avaliado, principalmente em termos de prazo e qualidade”, explica.

Outra particularidade no segmento de fachadas, segundo Lucínio Santos, é que as construtoras de triple A não contratam duas obras simultâneas com o mesmo fabricante. A razão, novamente, é assegurar prazo, na linha ‘de não colocar todos os ovos no mesmo cesto’. “Mas, se a construtora tem duas obras por ano e o fornecedor de fachada está terminando a instalação, ela é leal e contrata novamente”, conta.

Nesse tipo de empreendimento os prazos de início e entrega da obra são rígidos, portanto, é fundamental para a construtora antecipar as compras, de maneira que ela e o fabricante possam se planejar. No caso das esquadrias e fachadas, diante da grande demanda do mercado, as indústrias não dispõem de atendimento imediato de alumínio, acessórios e tratamento de superfície dos perfis.

NEGOCIAÇÃO

Por seu valor, as esquadrias e fachadas são negociadas com o fabricante diretamente pela direção da construtora e da incorporadora – ou seus especialistas –, que fazem questão de escolher com quem querem trabalhar.

E para Lucínio Santos, o crescimento da economia brasileira e da Construção Civil estimulou a profissionalização das relações entre as construtoras e os fornecedores. A começar pela cultura consolidada entre as construtoras, nos últimos anos, de contratação de ensaios de esquadrias e fachadas. “Esses clientes estão exigindo cada vez mais, o que é muito bom, pois nos obriga a nos adaptarmos às novas condições do mercado em tecnologia, logística, prestação de serviço e gestão empresarial. Quem não acompanha fica à margem”, alerta.

Além disso, o setor de esquadrias e fachadas de alumínio enfrenta a chegada de empresas estrangeiras, principalmente da China, que internam aqui o painel pronto para instalação – etapa crucial, complexa e, em geral, terceirizada do processo da fachada. “Os chineses preferem enviar para o Brasil a commoditie, pois não querem a preocupação da instalação na obra, o que afeta toda a cadeia produtiva das esquadrias no país”, diz.

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CONTRATOS 

Elevadores e esquadrias de alumínio têm custo percentual equivalente em relação ao total da obra. No entanto, é contratual a não instalação do transporte vertical no edifício quando o vão está fora de prumo ou nível.

“Enquanto o elevador trabalha dentro do vão de concreto, a esquadria e a fachada revestem o prédio todo, mas temos enfrentado problemas de prumo e de nível nas obras”, diz, explicando que para a instalação de esquadria entre vãos, o problema se resolve com o contramarco, que limita o vão milimetricamente e, no caso das janelas padronizadas, com o uso de gabaritos.

A questão se torna grave quando se trata de fachadas cortinas: “As construtoras partem do princípio de que poderá haver diferença de prumo de até 10 cm. Mas não existem peças de ancoragem em alumínio que recebem o painel de vidro no sistema unitizado que atendam esse desvio”, diz o presidente da AFEAL.

A solução dada pelas construtoras é pedir ao fornecedor que inclua no orçamento ancoragens auxiliares de aço galvanizado que, somadas às ancoragens próprias do sistema, poderão dobrar o número de peças.

“Esse acréscimo vai agregar custo à obra”, alerta Lucínio Santos, que propõe que o cliente pague apenas pelo número de peças necessárias para cobrir o desvio que é pontual – sugestão que se repete no caso da diferença de nível que, numa laje de 50 m de extensão, pode chegar a menos 4 cm numa extremidade e a mais 4 cm na outra, gerando um desvio de nível de 8 cm.

Redação AECweb / Construmarket

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COLABOROU PARA ESTA MATÉRIA:

Lucínio Abrantes dos Santos, presidente-executivo da Associação Nacional dos Fabricantes de Esquadrias de Alumínio (AFEAL), tem formação técnica em Desenho Mecânico (Liceu de Artes e Ofícios); em Técnico Industrial e Técnico em Edificações (Escola Técnica Federal), além de técnico de Marketing, Propaganda, Pesquisa e Publicidade e Gerenciamento, Administração e Planejamento.

É sócio-diretor da Luxalum Esquadrias de Alumínio – uma das pioneiras do setor – da Alumetal Montagens Industriais e Civis, e da Santos Interparti Empreendimentos Imobiliários.

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